O Legado Continua: A História do Queen of the Bay
Um dos pontos altos das Comemorações de Setembro de Belize é o tão aguardado concurso “Rainha da Baía”. Belize sedia vários concursos de beleza locais e internacionais. No entanto, o “Rainha da Baía” é um evento de longa tradição em Belize. É conhecido por ter como pilares o patriotismo, o empoderamento feminino e a identidade cultural.
Aqui está uma jornada pela evolução de um evento histórico de Belize. Conheça em detalhes como tudo começou, o que o torna único, qual é o seu impacto e por que ainda é relevante.
Um símbolo de soberania
Monrad Metzgenfoi um prolífico patriota belizenho, veterano e fundador da Ordem Leal e Patriótica da Baía (L&POB). Depois de avistar embarcações guatemaltecas em águas belizenhas, a L&POB decidiu que o país precisava de um símbolo de soberania, liberdade e da disposição da Baía de se proteger contra possíveis agressores.

Em 1946, Metzgen e a L&POB deram início aoconcurso “Rainha da Baía”. Ela seria um símbolo da soberania nacional e do patriotismo. Roderick Augustus Pitts, secretário-geral da L&POB, escreveu o roteiro do concurso. Sua sobrinha, a Srta. Eloise Humes, compôs acanção atemporaldo concurso “Rainha da Baía”.
Tudo começou na Cidade de Belize, então conhecida como Belize Town, e foi dividido em quatro casas patrióticas: Barrow, Brackett, Fairweather e Moss. Cada casa indicava uma delegada. As casas receberam os nomes daqueles que participaram da Batalha de St. George’s Caye e da Segunda Guerra Mundial. Rita Lewis foi coroada a primeira Rainha da Baía da história em 10 de setembro de 1946.


Três anos depois, o concurso cresceu, e candidatas de todo o país passaram a ter permissão para competir. Tratava-se de uma seleção — conhecida como “picking” nas aldeias e distritos — para enviar uma representante ao concurso nacional realizado na Cidade de Belize. Em 1949, Lita Fuller, do distrito de Stann Creek, fez história ao se tornar a primeira candidata de fora da Cidade de Belize a vencer. Foi nesse mesmo ano que a L&POB ampliou o concurso.
Tradicional e não convencional
O “Queen of the Bay” não é apenas o concurso pioneiro de Belize. É um dos concursos mais antigos do mundo e o único com uma tradição ininterrupta. Ele é anterior a concursos internacionais de renome, incluindo o Miss Mundo e o Miss Universo.
No entanto, não se trata de um concurso de beleza. Os “padrões de beleza” não são considerados requisitos para uma participante na competição. Em vez disso, o foco está na postura das participantes, no serviço comunitário e no conhecimento do patrimônio nacional.


Existem vários elementos que fazem com que o “Queen of the Bay” se destaque dos demais. O desfile histórico inclui pajens, damas de companhia, um arauto, a “Abel’s March” e trajes formais com reverência. Isso reflete a influência colonial do desfile.
A Marcha de Abel
A“Marcha de Abel”é uma música tradicional tocada no desfile de 10 de setembro. Os participantes se apresentam com elegância no palco, com sorrisos radiantes, um leve balanço e movimentos para frente e para trás.

Trajes formais e reverência
O segmento de trajes formais reflete as tradições da realeza britânica – vestidos de baile e reverências. Nos primeiros anos do concurso, as participantes usavam vestidos de qualquer cor, inclusive branco. Elas faziam uma reverência à rainha, que ficava sentada em seu trono com a coroa, o manto e o cetro. Hoje, os vestidos de baile são peças elaboradas e marcantes, e um momento muito aguardado durante o concurso, assim como a reverência. No entanto, atualmente, apenas a rainha reinante usa branco na noite do concurso.
Existem outras etapas do concurso “Queen of the Bay” que são semelhantes às de outros concursos de beleza. Entre elas estão a apresentação, a demonstração de talento, a apresentação de fantasias, a apresentação em trajes de banho e a sessão de perguntas e respostas. No entanto, o concurso já alterou suas etapas várias vezes. Atualmente, as etapas de demonstração de talento e apresentação em trajes de banho foram substituídas por uma apresentação de fantasias.

Ao contrário de muitos concursos de beleza, nos quais a rainha reinante coroa sua sucessora no momento em que seu nome é anunciado, a vencedora do Queen of the Bay é chamada de “Rainha Designada”. Ela se torna a rainha oficial no dia 10 de setembro, durante a cerimônia oficial do Dia da Batalha de St. George’s Caye. É lida uma proclamação, seguida pela entrega, pela rainha que está deixando o cargo, da coroa cerimonial, do manto e do cetro, coroando oficialmente a vencedora como a rainha reinante do Queen of the Bay.
A evolução de uma tradição muito querida
Ao longo dos anos, o “Queen of the Bay” tem sido uma tradição alvo de debates devido ao seu contexto colonial. No entanto, ele continuou a se consolidar no patrimônio do país por promover o orgulho cívico, a participação das mulheres em posições de liderança e o conhecimento histórico — indo além da Batalha de St. George’s Caye.
Emma Boitonfoi coordenadora de longa data do comitê nacional do Queen of the Bay, defendendo o prestígio, o valor cívico e a tradição que a L&POB iniciou. Sob sua orientação, as vencedoras do concurso recebiam uma bolsa integral para uma universidade do país, enfatizando a importância de educar as mulheres para que se tornassem líderes comunitárias e embaixadoras do país. Após sua saída do comitê, as ex-Rainhas criaram uma associação para dar continuidade ao caminho traçado pela Sra. Emma — como é carinhosamente conhecida —, de modo que haja mais oportunidades de valorizar as jovens por meio do concurso.

Nos últimos anos, o concurso passou a incluir uma declaração de plataforma e uma entrevista em painel fechado. As participantes expõem as causas que defendem para o público durante a Cerimônia de Entrega das Faixas. Elas também têm a oportunidade de conversar em ambiente mais íntimo com os jurados sobre quem são e sua paixão pelo serviço comunitário.
A marcha, a reverência e a coroação tornaram-se símbolos desse concurso de beleza que já existe há décadas, e não mais uma homenagem à atual realeza britânica. São elementos característicos que tornam o “Queen of the Bay” não apenas tradicional, mas também único entre os muitos outros concursos de beleza nacionais e internacionais.
Por que o legado continua
Por oitenta anos consecutivos, o concurso “Queen of the Bay” tem enriquecido as Comemorações de Setembro de Belize com entretenimento, elegância e patriotismo em plena exibição. O concurso acontece no último sábado de agosto, seguido pela coroação no dia 10 de setembro, data em que se comemora a Batalha de St. George’s Caye.
Muitas ex-rainhas concluíram o ensino superior, o que lhes abriu portas para maiores oportunidades tanto dentro quanto fora do país. As rainhas também receberam outros prêmios fabulosos, incluindo um terreno, o que lhes proporcionou uma base no país que tanto amam.
Além da coroa, a Associação das Ex-Rainhas inaugurou uma placa comemorativa da “Rainha da Baía” no Memorial Park, local onde a maioria das rainhas foi coroada. Trata-se de uma homenagem tangível para que as rainhas gravem seus nomes na história, criando uma nova atração turística na Cidade de Belize.


Em 2025, ex-rainhas do país, dos EUA, do Reino Unido e do Canadá participaram do concurso para eleger a 80ª Rainha da Baía. Foi um marco histórico para o início de uma nova década na história do concurso “Rainha da Baía”.
Oitenta anos de patrimônio nacional, celebração cultural, mulheres em posições de liderança e irmandade.
A “Queen of the Bay” continua a escrever sua história na história de Belize, desde a época colonial das Honduras Britânicas até o Belize soberano.
Curiosidade: A imagem do banner faz parte da Coleção de Selos Definitivos de Belize para 2026-2030, intitulada “Celebrando Belize”. É um dos onze novos selos, com valor facial de 10 BZD. Na foto, da esquerda para a direita: Miss Belize City, Rainha da Baía – Rainha Vivica Perez; 80ª Rainha da Baía – Rainha Samantha Ramirez; 79ª Rainha da Baía – Rainha Deanni Laing; e Miss Stann Creek West, Rainha da Baía – Rainha Sasha Lopez.

As fotos do blog são de autoria da National Queen of the Bay.
